
Críticas
| por Juliana Arapiraca |
Crítica do espetáculo "Brasil, quem foi que te pariu?"
IV MOSTRA LINO ROJAS DE TEATRO DE RUA
Trupe Artemanha (de investigação urbana) - A voz que deve ser escutada.
Em mais uma edição, a arte e resistência na rua foram muito bem representadas pela Trupe Artemanha de investigação urbana, que completou treze anos. No espetáculo de criação coletiva Brasil, quem foi que te pariu?, pode-se assistir ao trabalho de um grupo maduro e definido em relação ao próprio processo artístico e clareza ideológica, abarcando, ainda, o didático, o lúdico organizados de modo dialético.
A trupe, formada por seis atores, mostra claramente um trabalho de preparação e pesquisa em clown, commedia dell´arte, dança, circo, canto e percussão, mostrou grande competência e habilidade em todas os expedientes utilizados para criação do espetáculo.
A fábula épica, conta a “história verdadeira” da formação da cultura e da nação brasileira de uma maneira descontraída, apresentando-a de modo diferenciado àquele que boa parte dos livros de história deixa de fazer, pela mais diferenciada gama de motivos e interesses. A peça traz para o espectador, símbolos e signos muito bem representados para a encenação de suas personagens: o padre de perna de pau, com o cedro dourado de emblema da rede globo,
arlequins de escravos-tigres, o juiz “bandeirante” etc.
Durante a apresentação do espetáculo, a trupe demonstrou grande malícia ao relacionar-se com o público, aspecto este que apenas os verdadeiros grupos de rua conseguem desenvolver e segurar a todo o momento. Um morador de rua interferiu de modo contundente do início ao fim da peça, porém, o conjunto de atores, em momento algum o ignorou ou repreenderam-no. Ao contrário, sempre que havia possibilidade, o elenco buscava modos de inseri-lo na peça sem perder o jogo de cena.
Dos bons momentos da obra, um dos mais significativos ocorreu quando – durante a cena em que o juiz bandeirante fazia suas considerações de quem era culpado, o índio ou o homem branco – um segundo espectador participou da cena espontaneamente entrando no espaço de representação. De modo bastante ??natural, os integrantes da trupe colocaram-no em jogo, na condição de “assistente do juiz”. Por esta solução, o público que acompanhava o espetáculo vibrou, de modo entusiasmado.
Por intermédio da apresentação de Brasil, quem foi que te pariu?, ocorrida durante a 4ª edição da MOSTRA DE TEATRO DE RUA LINO ROJAS, pode-se afirmar que se ouviu, em muitos momentos, a voz do povo das ruas.
Ao final da encenação desenvolve-se uma grande ciranda, representando a força e a união da nação que deve urgentemente saber do que se trata e de quem seria a liberdade que desafia o peito a própria morte.
Reiterando, e para concluir: Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!